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O Cérebro - Um breve relato de sua função

Capítulo V - Linguagem - A linguagem como uma mímica motora

A aquisição da linguagem foi um passo importante na evolução humana. É muito difícil, hoje, imaginar qualquer sociedade humana sem o suporte da linguagem como meio de comunicação e de expressão cultural. Não existe, porém, ainda nenhuma teoria adequada para explicar o aparecimento da linguagem humana, uma vez que nenhum outro grupo animal possui alguma capacidade de comunicação semelhante às línguas humanas conhecidas, vivas ou mortas. Por outro lado, a paleontologia tem pouco a acrescentar pois os sons não deixam fósseis. É só a partir do momento em que o homem inventa a linguagem escrita, que passa a deixar uma história do desenvolvimento da sua linguagem.

Outro ponto complexo nas teorias sobre a linguagem, é a aquisição aparentemente fácil de uma ou mais línguas pelas crianças, quando comparadas com a maior dificuldade do adulto em aprender uma nova língua estrangeira. Para muitos pesquisadores, a complexidade da linguagem é muito grande para que mesmo uma só língua possa ser adquirida em tão pouco tempo pelas crianças e a partir de um conjunto de exemplos que em geral são produções muito descuidadas nessa mesma língua. Por isso, muitos propõe que a linguagem deve ser uma propriedade inata do homem. Aliás, esta proposição também é muito usada para justificar a crença de que outros animais não podem possuir nenhum sistema semelhante, por mais rudimentar que seja.

Entretanto, até hoje não foi possível encontrar nenhuma característica do cérebro humano totalmente inexistente nos outros primatas, o que torna a idéia de um mecanismo genético para organização da linguagem humana, uma teoria muito complicada de ser defendida. Aliás, o grande número de mutações genéticas concomitantes que seriam necessárias para o aparecimento de um sistema lingüístico bem definido geneticamente em um único animal, torna a idéia praticamente impossível.

Mas como, então, entender o aparecimento da linguagem e os mecanismos empregados no seu aprendizado.

Pesquisas realizadas nos últimos vinte e cinco anos, têm mostrado que o aprendizado da linguagem já se inicia a nível uterino, pois a fala da mãe pode estimular o feto assim que o seu sistema auditivo começa a se formar durante a gestação. A capacidade de reconhecimento de muitas características dos sons humanos se estabelecem durante o primeiro ano de vida, como se a criança nascesse com uma predisposição para certos processamentos auditivos. O uso do aparelho fonador se inicia muito precocemente, também. O balbuceio infantil sofre uma evolução rápida e complexa durante o primeiro ano de vida, sofrendo um influência muito grande das características fonológicas da língua materna em aprendizado. É como se o bebê estivesse experimentando com a linguagem desde o início, procurando ajustar sua fonação aos sons ambientais e utilizando essa mesma motricidade oral para facilitar o aprendizado da análise perceptual do sons.

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