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2ª Série - As Diversas Áreas do Cérebro para os Diversos Aspectos do Texto

As neurociências têm mostrado que áreas diferentes do cérebro são envolvidas no processamento dos diversos componentes de um texto.

O Espaço

As informações sobre local de ocorrência da ação dependerá da participação de neurônios que definem os sistemas de referência espacial – alo e egocêntrico (vide O Cérebro: Um breve relato de sua função ) – e que se localizam predominantemente no hipocampo (veja o artigo Manuseando Medidas). Para acessarmos as informações dessa área pela linguagem utilizamos as palavras ONDE, AONDE, etc.

Os Nomes e os Verbos

O acesso à memória semântica dos nomes se faz predominantemente na região temporal postero-superior, enquanto que o acesso à memória procedural que descreve as ações verbais se faz predominantemente no córtex pré-frontal (Figura 5). A memória semântica está muito associada às perguntas QUEM e O QUÊ. A memória procedural, por sua vez, é muito utilizada para as respostas associadas à pergunta COMO.

Figura 5

O Tempo

As relações temporais descritas na frase podem depender de dois sistemas distintos: a Memória Retrospectiva e a Prospectiva (Figura 6) (veja o artigo A noção de Tempo).

A Memória Retrospectiva guarda as relações temporais dos eventos já ocorridos. Ela fala do tempo passado. Assim, a reunião das crianças para a troca de brinquedos se constitui de uma memória de um evento realizado. As relações temporais desse evento ficam guardadas na região do hipocampo. A memória retrospectiva está muito associada à questão QUANDO.

A Memória Prospectiva, também chamada memória de trabalho, fala do tempo futuro e depende de neurônios localizados próximos uns dos outros no córtex frontal lateral. É a memória usada para planejamento das atividades futuras. Assim, Juca utiliza esse tipo de memória para planejar sua ida à escola no dia seguinte. A memória prospectiva poderá ser ativada pela pergunta QUANDO ou pela questão COMO, pois essa memória define relações temporais de futuro (quando) e planejamento (como).

Figura 6

Trabalhando Textos

Por esses motivos, devemos trabalhar com atividades que explorem a compreensão dos textos questionando o quando, como, porque, onde, para que, etc. aconteceram os fatos narrados nas histórias. Cada uma dessas perguntas, quando pertinentes, vão ativar os distintos circuitos neurais envolvidos com o processamento dos diferentes tipos de informações fornecidas pelas histórias. Com isso espera-se ajudar a criança a desenvolver as funções cerebrais adequadas para a análise de textos cada vez mais complexos (Figura 7).

Figura 7

Deve-se lembrar, também, que algumas dificuldades de aprendizagem podem decorrer de disfunção específica de algum desses tipos de memória.

É fundamental ensinar a criança a fazer as perguntas corretas para entender o texto que lê ou que irá produzir. É através do questionamento correto que ela consegue ativar os circuitos neurais relacionados com as diferentes memórias associadas ao conteúdo do texto que está sendo trabalhado.

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